quarta-feira, 30 de junho de 2010

Almas doces e estrangeiras


Chegaram no mesmo mês, com apenas dias de diferença. Rafa chegou antes e procurou instalações na cidade, não andou muito e achou algumas possibilidades. Visitou uma casa amarela cheia de aconchego mas decidiu morar no prédio vizinho num apartamento imenso. Era apenas a exteriorização da necessidade de imensidão que Rafa encerrava dentro de si. Rafa sempre gostou de transitar com espaço e maturidade nos cômodos da sua casa e dentro de sua interioridade... tinha aquela tal liberdade. Ocorreu que a mesma casa amarela cheia de aconchego se tornaria o casulo temporário de Gustavo que viera de uma metrópole barulhenta e com vários sonhos de liberdade nas malas. Rafa e Gustavo não se cruzaram por quase três meses... nem na padaria, nem na praça, nem nos barzinhos, nem no shopping... mas um dia a virtualidade apresentou estas almas doces. As conversas ficaram intensas... e apenas algumas paredes separavam estas duas almas doces de num encontro. Mais conversas e mais afinidades... Quanta doçura!!! Mais conversas e mais doçura... Quanta afinidade!!! As almas embebidas de doçura resolveram rasgar a cortina que as separavam e no frio da serra puderam contemplar seus olhos... e com conversas doces puderam partilhar coincidências como a da casa amarela. Os corpos tremiam por causa do frio da serra e as almas doces foram embora. No carro, num súbito olhar e toque de mão... Gustavo atacou a nuca de Rafa e com um beijo deliciosamente demorado e cheio de coisas doces selaram aquele encontro. O caminho se tornou leve como os toques das mãos, os carinhos e o calor gerado pelo atrito da pele dessas almas doces... Era um momento mágico e de tanta doçura que ambas as almas estavam num êxtase terreno que cessou com a despedida desejosa de mais momentos doces. A memória da pele, do hálito e dos sabores já havia registrado que essas almas eram especiais e mereciam construir mais memórias doces. Mas Gustavo confinou-se em seu casulo com certa dúvida e tristeza... era a metrópole que clamava por sua volta... num momento tão inconveniente e ao mesmo tempo propício. Rafa com respeitoso e incomodado silêncio provocou algumas falas de Gustavo que tateando no medo da paixão recuou e fez de seu casulo sua morada. Gustavo não queria magoar Rafa nem sofrer pelo fim de um talvez amor que nem começou mas já dava sinais de vitalidade. E essas doces almas estrangeiras viram tudo prosseguir na virtualidade dos computadores e dos telefones celulares. Além das memórias da pele, dos hálitos e dos sabores... há apenas esse texto que registra a imensidão daquele encontro... e a suave e racionalizada dor que se dissipará nos próximos dias.

2 comentários:

Vanessa Souza Moraes disse...

Amores são sempre possíveis.

Belo escrito.

Henry Poncio Cruz de Oliveira. disse...

Vanessa, obrigado pelo comentário!
Um abraço.